Breve histórico dos vices em Conquista e da importância de prestar atenção nos candidatos, principalmente o de Sheila – Parte 1

No período compreendido entre 1976 e 2020 foram eleitos oito vice-prefeitos e três vice-prefeitas. Antes não havia o cargo, regulamentado pela lei estadual 3.531, de 10 de novembro de 1976. Naquele tempo, havia a possibilidade de a Assembleia Legislativa alterar e a Lei Orgânica dos Municípios (LOM), o que mudaria com a Constituição Federal de 1988, que estipulou que cada município criasse e aprovasse a sua própria LOM.

Desde então, os oito vice-prefeitos e três vice-prefeitas eleitos fizeram história, alguns uma história curiosa.

Gildásio com a esposa, Regina

Em 1976, o vice-prefeito eleito com Raul Ferraz foi Gildásio Cairo, um dos pioneiros na implantação de loteamentos na cidade, criador de vários bairros, a exemplo do Kadija. Tinha sido vereador pelo Partido Social Democrático (PSD) entre 1959 e 1963 e suplente de deputado estadual pelo Partido de Representação Popular (PRP) de 1963 a 1967. Acabou assumindo o cargo de prefeito em definitivo por oito meses e meio, de 15 de maio de 1982 até 31 de janeiro de 1983, quando José Pedral Sampaio assumiu.

Hélio discursa em comício da campanha dele e de Pedral

O vice de Pedral foi Hélio Ribeiro. Os dois tinham um entendimento perfeito e o vice assumiu várias vezes o cargo. Os maiores períodos foram na campanha eleitoral de 1986, por cinco meses, quando o prefeito foi coordenador da campanha de Waldir Pires, e depois quando Pedral assumiu a Secretaria de Estado dos Transportes e Comunicações, entre março de 1987 a agosto de 1988. Por uma brecha legal, possível à época, Pedral pôde retornar ao cargo e concluir o mandato em 31 de janeiro de 1989.

Clóvis Flores também presidiu a Emurc

O vice-prefeito eleito com Murilo Mármore, em 1988, foi Clóvis Flores. Foi nomeado presidente da Emurc pelo prefeito e chegou a exercer o cargo por três dias, em uma das viagens de Murilo a Brasília, em meados de 1992. Não havia necessidade legal, foi mais um gesto do prefeito para incluir a passagem no currículo do vice. que seria o candidato a deputado estadual apoiado por Murilo. Clóvis se elegeu em 1994.

Margarida foi a primeira mulher candidata a prefeita e a primeira eleita vice em Conquista

Em 1992, aconteceu o caso mais inusitado. Depois de mais de 20 anos de rivalidade, José Pedral e Margarida Oliveira, então deputada estadual, foram eleitos juntos, ele prefeito e ela vice. Venceram Raul Ferraz, Guilherme Menezes e Antônio Cruzes, com seus respectivos candidatos a vice: Alvinéia Matos, Zé Raimundo e Edson Ramos, cada um deles, com toda certeza, almejando a eleição e a função que lhe caberia. Menos Margarida, que diplomou-se mas não tomou posse, preferindo continuar o mandato na Assembleia Legislativa. Pedral governou sozinho, sem vice. E na sequência, tanto ele quanto Margarida perderam suas eleições, ele apoiando Vonca em 1996, ela não conseguindo novo mandato de deputada em 1994.

Clóvis Assis, em foto de 2018, ao lado de seu fiel assessor Hilton Lopes Silva 

Em 1996, o desgaste da gestão anterior reuniu em torno do nome de Guilherme Menezes diversos partidos e líderes para compor um grupo ‘plural’, como se diz, para ganhar a Prefeitura. Candidato a prefeito definido, o cargo de vice passou a valer ouro. Raul Ferraz, cogitado, não quis. Clóvis Assis, que havia sido deputado federal pelo PSDB até o final de 1994, foi o vice. E tudo até começou bem na Prefeitura. Ele e o titular, Guilherme, não pareciam muito distantes no comecinho. Mas, aos poucos, o calor da refrega nacional entre o PT e o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República, foi tornando o ambiente da prefeitura uma sauna, onde ficava difícil ter os dois. Como quem tem a unha maior sobe na parede, quem perdeu espaço foi o vice. Lhe tiraram telefone, sala, cafezinho e a paz. Foi divórcio litigioso.

 

Fonte Giorlando Lima