Outubro Rosa! Hora de prevenir câncer de mama e de colo de útero

Outubro é o mês da saúde das mulheres. Hora de lembrar a prevenção contra o câncer de mama e o câncer de colo de útero. Para isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos realizou, em Brasília, o seminário Outubro Rosa: Previna-se e Conheça seus Direitos.

“Reunimos hoje especialistas que podem nos ajudar a entender e combater esse problema”, explicou a secretária Nacional de Políticas para as Mulheres, Cristiane Britto.

O seminário faz parte da Campanha Outubro Rosa, que ocorre todos os anos. “A campanha deste ano inclui mensagens nas redes sociais e recomendações para estados e municípios”, afirmou a secretária.

Ministra Damares Alves / Foto: TV BrasilExiste tratamento para ambos os casos de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas, de acordo com a ministra Damares Alves, “não temos muito o que comemorar. Tem gente que fala assim: ainda tem mulher no Brasil que nunca fez uma mamografia? Temos mulheres no Brasil que ainda não têm certidão de nascimento”, destacou a ministra, que foi homenageada no evento com um buquê de rosas.

O desejo da ministra é “que o Outubro Rosa não fique apenas nos grandes centros, que chegue lá onde a política pública nunca chegou. Tem muitas mulheres que nem sabem que existe Outubro Rosa”, destacou em seu discurso.

Participaram do seminário mulheres que vivenciaram o problema, parlamentares e médicos especialistas que falaram sobre a legislação, prevenção e novas modalidades terapêuticas.

Entre eles, a pediatra Mayra Pinheiro, que foi diagnosticada com a doença em 2006. “Com diagnóstico e tratamento precoces, eu fui completamente curada. Foram dias de aflição para mim e minha família e aí o Outubro Rosa passou a ser uma causa na minha vida. A gente transforma essa dor, essa motivação de ajudar em ação”, contou.

Câncer de Mama 

O câncer de mama é o segundo tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, ficando atrás somente do câncer de pele não melanoma. Corresponde a 29% dos casos novos a cada ano no país. Os dados são do Instituto Nacional de câncer (Inca).

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade do ministério da Saúde, em 2017, foram 16.927 novos casos de câncer de mama, sendo 16.724 em mulheres e 203 em homens.

Prevenção e tratamentos no SUS

A principal forma de tratamento do câncer de mama é o diagnóstico precoce. A doença pode ser detectada nas fases iniciais em grande parte dos casos, aumentando a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com maior sucesso. Todas as mulheres devem conhecer seu corpo e suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres.

Professora Rosilda de Souza / Foto: TV BrasilFoi o que aconteceu com a professora Rosilda de Souza. “Eu percebi um ligeiro afundamento no mamilo esquerdo e aí resolvi procurar um ginecologista. Fiz todo meu tratamento no SUS. O diagnóstico rápido foi fundamental e o início do tratamento foi muito rápido”, afirmou. Além do tratamento, a professora fez a reconstituição no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

A experiência, juntamente com histórias de outras mulheres, foi relatada em livro que agora Rosilda quer doar para outras mulheres que farão tratamento no HUB. O livro, escrito em parceria com sua médica, busca responder a perguntas práticas, como a importância da família no processo de cura, como lidar com o processo de queda de cabelo ou se a mulher deve continuar trabalhando e fazendo atividades físicas. “Quando a gente recebe o diagnóstico, a gente vai atrás de muita coisa, procura livros, pessoas”, explicou a professora.

No câncer de mama, a idade é um dos mais importantes fatores de risco. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os cinquenta anos. Por isso, o ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento, exame realizado quando não há sinais nem sintomas suspeitos, seja ofertada para mulheres entre cinquenta e 69 anos, a cada dois anos. 

Já a principal forma de prevenção do câncer de colo de útero é a vacina contra o HPV. O SUS oferece a vacina tetravalente para meninas e meninos. O grupo etário alvo da vacina é de nove a quatorze anos, pois essa vacina é mais eficaz se aplicada antes do início da vida sexual. Devem ser tomadas duas doses, com intervalo de seis meses. A meta é vacinar pelo menos 80% da população alvo.

A vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.

A Campanha

O Outubro Rosa foi criado, no início da década de 90, por meio de um movimento global iniciado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A data é celebrada anualmente para compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença. Há alguns anos, o movimento passou a incluir também a prevenção ao câncer de colo de útero. “Ao tratarmos da questão feminina, estamos tratando da dignidade e da cidadania. Estamos tratando de uma questão sistêmica”, ressaltou a secretária Nacional de Justiça, Maria Hilda Marsiaj, durante o seminário.